quinta-feira, 16 de julho de 2015

Chama o TO (Terapeuta Ocupacional) - Arco do Movimento




            “Dona J. R., 52 anos, casado, pai de dois adolescentes, sofreu um acidente vascular gerando como sequela uma hemiplegia*. A hemiplegia lhe trouxe dificuldades motoras e alteração na fala e na deglutição. Assim, após o período de internamento, há, aproximadamente, seis meses iniciou em casa acompanhamento fisioterápico 5 vezes por semana e, também, intervenção fonoaudiológica 3 vezes por semana. O tratamento evolui bem, porém Dona J. R. não conseguiu compor o arco motor de forma eficiente, apesar de entrar em função, sempre se decepcionando com a incapacidade de manusear objetos simples que faziam parte do seu dia a dia – como encher um copo com água ou qualquer outro liquido, não  se servir ou mesmo servir outra pessoa ao lado, por exemplo, frustrando-se com frequência diante de familiares ou amigos que o visitavam. O que fazer para ajudar o Dona J. R. voltar a ter independência nessa atividade e retomar o prazer e a satisfação de receber os amigos, executando esses e outros movimentos que lhe eram tão automáticos? 
Nessas situações, CHAMA O TO!!!



        Sim, nosso querido e amado TO! Visto que, para que o arco de movimento seja completo e eficiente é necessário que haja um planejamento adequado, normalização de tônus muscular, força e percepção de esquema corporal. No que se refere a tônus e força, ele foi bem assistido pelo fisioterapeuta, porém é necessário um trabalho com o processo cognitivo do ato motor. Tal processo depende da atenção, motivação e situações emocionais relacionadas ao movimento e o ambiente, pois é neste contexto que o ato acorre. Sendo assim, a questão emperra justamente no PLANEJAMENTO e percepção do ESQUEMA CORPORAL. Trabalhar essas habilidades é competência do profissional de Terapia Ocupacional.
        Mas vamos por partes!
        Os movimentos são controlados pelos centros motores no cérebro, o planejamento motor, se dá em nível dos gânglios da base*. O planejamento eficiente envolve a formação de estratégias para alcançar o objetivo desejado. Durante a execução de uma tarefa, as condições podem se modificar sendo necessário ativar novas estratégias para alcançar os objetivos. Para tal, há uma cooperação com o sistema sensório perceptual, que oferece informações ao sistema nervoso central (SNC) em relação ao corpo, e ambiente. São informações como o peso do objeto, se está abaixo ou acima de alguma superfície, a textura do objeto, a distância em relação a aquilo que queremos, entre outros dados relevantes para que o movimento seja totalmente controlado e eficiente.
A percepção da posição das partes do corpo em relação ao espaço está vinculada a noção do ESQUEMA CORPORAL. Essa percepção se baseia na integração do processamento perceptivo das informações da visão, de propriocepção*, táteis e da sensação de pressão em todas as partes do corpo, conforme nos movimentamos, assim como a discriminação da direção dos movimentos, para cima, para baixo, direita, esquerda, e etc.
        Agora que estamos familiarizados com o processo cognitivo do ato motor, podemos voltar a Dona J. R. Ele apresenta lesão no neurônio motor superior, o que provoca perda motora e/ou sensorial em um lado do corpo. Sendo assim, chame o TO para que seja realizada uma avaliação detalhada do paciente, verificando a existência de negligencia unilateral, identificando o nível de comprometimento para que lhe seja oferecido uma reabilitação completa e eficiente.

Chama o TO que ele completa! ;-)


(*) Glossário:
*Hemiplegia: Está associado a perdas motoras e sensorial resultado de lesões em um lado do cérebro. 

*Gânglios da base: Os gânglios basais estão localizados no diencéfalo. Sua função ainda anda sendo estudado mais tem se reconhecido que eles são importantes para o movimento que se apoia nos dados sensoriais do ambiente. 

*Propriocepção: Refere-se à capacidade de identificar a posição do segmento corporal no espaços em auxílio da visão, ou seja usando as informações obtidas dos receptores localizados nos músculos, tendões, articulações e pele. 




Fontes: 

GRIVE, J.; GNANASEKARAN, L. Neuropsicologia para Terapeutas Ocupacionais: Cognição no desempenho ocupacional. São Paulo: Santos, 2010.  

TYLDESLEY, B.; GRIVE, J. Músculos, Nervos e Movimento na Atividade Humana. São Paulo: Santos, 2006.
CRUTCHFIEL, C. A..; BARNES; M. R. Motor Control and Motor Learning in Rehabilitation. Stokesville Publishing Company, 1993.

SHUMWAY-COOK, A.; WOOLLACOTT, M. H. Controle Motor. Manole, 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário